Na última década, a indústria audiovisual sofreu profundas transformações nas formas de produção, distribuição e consumo de conteúdos. Além disso, no contexto da quarta onda do feminismo, proliferaram os filmes e séries para plataformas de televisão e VOD protagonizadas por mulheres. O caso das séries denota um interesse especial pelas redes de televisão e plataformas VOD por esse tipo de conteúdo, e também pelo público ao qual são dirigidos (Ruiz Muñoz e Pérez-Rufí, 2020). Não nos encontramos apenas diante de um momento particularmente significativo do ponto de vista da criação e disseminação de obras audiovisuais com protagonistas femininas, mas também da visibilidade do discurso de diretoras, roteiristas e outras trabalhadoras dos meios audiovisuais, tanto no campo da indústria como na própria agenda mediática, e inclusive diante das contribuições a uma genealogia própria que valoriza os aportes das suas antecessoras/pioneiras (Cascajosa, 2015; Etura, 2018; García Jiménez, 2019).

Nesse sentido, há também um crescente interesse no meio acadêmico pela análise do discurso audiovisual sob a perspectiva de gênero (Lacalle e Gómez, 2016; Coronado e Galán, 2017; Hidalgo-Marí, 2017; Bandrés Goldáraz, 2019; Sánchez e Calderón, 2020) e pela (re)construção da História do Cinema e da Televisão, valorizando as contribuições das criadoras audiovisuais (Núñez, Silva e Vera, 2012; Cascajosa e Martínez, 2016; López Rodríguez e Raya Bravo, 2019; Núñez Domínguez e Vera Balanza, 2020).

Ao longo desses anos, também se consolidou o estudo do discurso publicitário sob a perspectiva de gênero (Velandia-Morales e Rincón, 2014; Cabrera Montúfar, 2016; Vargas Ortiz, 2020) e igualmente são de interesse os trabalhos centrados em analisar desde este enfoque a narrativa audiovisual em outras áreas, como o videoclipe (Monedero, 2020), a videoarte (Herrero, 2016) e as redes sociais (Egido e Eiroa, 2017; Barrachina, 2019; Sádaba e Barranquero, 2019).

Por todo o exposto, solicitamos para o presente monográfico artigos de investigação que contribuam para fazer um balanço e também diagnosticar a situação atual na perspectiva da "agência feminina" (Butler, 1988), ou seja, da análise do discurso considerando a capacidade de escolha do sujeito e suas estratégias de resistência em contextos adversos. Trata-se de um constructo teórico que, em primeira instância, foi aplicado à categoria “mulher”, mas que há anos também vem-se aplicando a outros coletivos excluídos cujas reivindicações explicam que as análises feministas foram integradas a uma perspectiva mais ampla, denominada “de gênero” (Saneleuterio e López-García-Torres, 2019).

As pessoas interessadas em enviar propostas de artigos para o número poderão fazê-lo através da página web da Revista fazendo o seu registro como “Autor/a” e anexando seu artigo no ato do registro ou em outro momento. As pessoas que já estejam registradas na plataforma podem enviar seu artigo desde o seu perfil da página.

A Revista também conta com o apartado “Tribuna Abierta”, que admite colaborações com uma temática diferente do monográfico, assim como a seção para a realização de resenhas de livros e filmes.

data limite para a recepção dos artigos para este número termina no dia 28 de fevereiro de 2021 e será um prazer contar com a sua colaboração.

Além disso, oferecemos-lhes o link do último número de Cuestiones de Génerode la igualdad y la diferencia dedicado ao tema “Gênero, Ciência, Tecnologia e Informação”, coordenada por Erica Hynes, Maria Valentina Locher e Maria Laura Donnet.



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