O papel do movimento da cabeça na performance da armada da capoeira
DOI:
https://doi.org/10.18002/rama.v21i1.2605Palavras-chave:
Artes marciais, desportos de combate, movimento da cabeça, habilidade motora, expertise, sistema sensorialResumo
Durante a execução da armada, o praticante de capoeira quebra o acoplamento visual com o oponente devido ao movimento de giro. Este estudo investigou se um fenômeno denominado “marcação de cabeça” caracterizaria uma estratégia potencial para o praticante de capoeira lidar com essa quebra no acoplamento informacional. A marcação de cabeça refere-se ao ato de, em movimentos de giro, a cabeça ser a última parte do corpo a se mover, mas a primeira a terminar. Quarenta voluntários experientes [homens (n = 10) e mulheres (n = 10) iniciantes, e homens (n = 10) e mulheres (n = 10) praticantes avançados de capoeira], com idade média de 24,0 ± 5,0 anos, participaram deste experimento. A marcação de cabeça foi analisada em relação à velocidade da armada (lenta e rápida), ao oponente (com e sem), à perna de ataque (preferencial e não preferencial) e à fase de aprendizado (iniciante e avançado). Esta última classificação foi baseada nas graduações de cordão da Confederação Brasileira de Capoeira. O tempo de movimento da cabeça foi menor que o tempo de movimento da armada (758,8 ms vs. 1916,6 ms, respectivamente, p < 0,01). O movimento da cabeça ocorreu dentro do movimento da armada, visto que apresentou valores médios negativos (-330,47 ms) e positivos (806,66 ms) para o início e o fim do movimento da cabeça, respectivamente. Observou-se que as armadas realizadas com o membro inferior preferido apresentaram um valor médio de tempo de movimento da cabeça maior do que aquelas realizadas com o membro não preferido (740,41 ms vs. 678,72 ms, respectivamente, p < 0,05). Além disso, quando as armadas foram realizadas contra um oponente virtual, apresentaram um tempo de movimento da cabeça maior do que aquelas realizadas sem um oponente virtual (758,58 ms vs. 669,43 ms, respectivamente, p < 0,05). Os resultados deste estudo sugerem que o movimento da cabeça funcionou como um fenômeno de marcação de posição, sendo um componente crítico de uma armada, que varia dependendo da dominância lateral dos praticantes e da presença de um oponente. Eles também contribuem para a compreensão do funcionamento da habilidade motora e para a elucidação de seus mecanismos subjacentes.
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